O “mercado do músculo” não é uma categoria econômica oficial, nem um único setor com um número próprio. É uma forma de enxergar a convergência entre fitness, wellness, longevidade e serviços que ajudam as pessoas a desenvolver ou preservar força, função e autonomia ao longo da vida.
A provocação é simples: músculo não é apenas estética. É também capacidade de levantar, caminhar, subir escadas, carregar objetos e continuar fazendo as atividades que dão sentido à rotina. Para profissionais do movimento, isso abre uma conversa maior do que “qual tecnologia comprar?”: que necessidade o serviço resolve, para quem, com que método e com qual evidência?
O tamanho do wellness não é o tamanho da WB-EMS
O Global Wellness Institute estima que a economia global de wellness movimentou US$ 6,8 trilhões em 2024, alta de 7,9% em relação a 2023. A organização projeta que o total se aproxime de US$ 9,8 trilhões em 2029. São estimativas de uma economia ampla, composta por 11 setores — entre eles atividade física, beleza e cuidados pessoais, alimentação e nutrição, turismo de wellness, saúde preventiva e medicina personalizada. Não é uma estimativa do mercado de eletroestimulação.
Dentro desse conjunto, o segmento global de atividade física foi estimado em US$ 1,1439 trilhão em 2024. O valor cresceu 5,8% de 2023 para 2024 e 4,6% ao ano, em média, entre 2019 e 2024. O segmento inclui muito mais do que academias: abrange diferentes atividades recreativas, tecnologia, equipamentos, roupas e calçados. Portanto, tampouco deve ser confundido com o mercado de WB-EMS.
Há uma nuance importante nesses números: a despesa com atividade física cresceu mais rápido do que a participação estimada em atividades recreativas. Segundo a GWI, o número de participantes aumentou cerca de 1,2% ao ano entre 2019 e 2024. A instituição ressalta que parte do crescimento financeiro reflete preços mais altos e maior gasto por pessoa, não apenas a entrada de novos praticantes. Crescimento de mercado não é sinônimo automático de mais clientes para cada negócio.
No Brasil, a GWI estimou a economia de wellness em US$ 125 bilhões em 2024, colocando o país na 11ª posição entre 145 mercados. A taxa média anual de 2,0% entre 2019 e 2024 foi calculada em dólares; o próprio relatório alerta que variações cambiais afetam essa comparação e podem reduzir o crescimento aparente em moeda estrangeira. Mais uma vez, esse número não representa o mercado brasileiro de academias, muito menos o de WB-EMS.
Por que força e função ganharam espaço
A população está envelhecendo, e isso amplia a importância social de manter capacidade funcional. A Organização Mundial da Saúde estima que o número de pessoas com 60 anos ou mais passe de 1 bilhão em 2020 para 1,4 bilhão em 2030 e 2,1 bilhões em 2050. A demografia, por si só, não prova que haverá demanda por uma tecnologia específica; ela mostra por que serviços de movimento, força e autonomia merecem planejamento de longo prazo.
A OMS recomenda que adultos realizem atividades de fortalecimento muscular envolvendo os principais grupos musculares em pelo menos dois dias por semana. Para pessoas com 65 anos ou mais e mobilidade reduzida, também recomenda atividades de equilíbrio em três ou mais dias por semana para ajudar a prevenir quedas. Essas recomendações tratam de atividade física, não prescrevem WB-EMS.
Há também sinais de interesse profissional em envelhecimento e gestão do peso. Na pesquisa mundial de tendências de fitness do ACSM para 2026, programas para adultos mais velhos ficaram em segundo lugar e exercício para controle do peso em terceiro. O levantamento consultou profissionais de exercício, pesquisadores e clínicos; ele é um sinal de prioridades do setor, não uma medição de demanda ou receita no Brasil.
A relação entre força e saúde também merece atenção sem exagero. Um estudo de coorte publicado em 2026 acompanhou 5.472 mulheres ambulantes de 63 a 99 anos. Maior força de preensão manual e melhor desempenho no teste de cinco levantamentos da cadeira foram associados a menor mortalidade por todas as causas, mesmo após ajustes estatísticos. Como é um estudo observacional, ele não prova que a força, por si só, cause o resultado. Também não testou WB-EMS nem mediu o efeito de um equipamento específico.
Onde a WB-EMS pode entrar

A WB-EMS é uma modalidade de treinamento que aplica estímulos elétricos a vários grupos musculares durante uma sessão orientada. Uma revisão sistemática com meta-análise de 26 estudos e 1.183 participantes relatou efeitos médios favoráveis em medidas de massa muscular, força e potência nas populações estudadas. Os participantes tinham idades e níveis de atividade diferentes, e os protocolos variaram bastante; por isso, esses resultados não garantem o mesmo efeito para cada cliente ou equipamento.
Em adultos jovens já ativos, uma revisão sistemática de 2024 considerou inconclusiva a evidência de que a WB-EMS produza adaptações superiores às de outros métodos de treinamento. Esse detalhe importa: uma tecnologia pode ser útil sem ser “melhor para todos” ou substituir o treinamento resistido convencional.
A oportunidade profissional está em encaixar a ferramenta de modo responsável: avaliar o objetivo da pessoa, explicar o que o método pode e não pode oferecer, acompanhar a resposta e ajustar o serviço dentro da competência profissional e da indicação do equipamento. Uma diretriz internacional para WB-EMS comercial não médica recomenda supervisão próxima, qualificação do profissional, avaliação de contraindicações, início cuidadoso e recuperação adequada. Aplicações não supervisionadas devem ser evitadas. A diretriz é uma referência internacional, não substitui as normas brasileiras nem a instrução de uso do fabricante.
Por isso, o diferencial não está apenas no colete ou na corrente. Está no serviço completo: competência profissional, comunicação clara, avaliação coerente, progressão responsável, acompanhamento e suporte técnico. Na WiemsPro, a conversa sobre tecnologia deve caminhar junto de formação e assistência ao profissional que a utiliza.
Esse é o ponto em que o “mercado do músculo” conecta diferentes portas de entrada. Uma pessoa pode procurar o profissional por estética, outra por desempenho, outra por retomada de atividade ou envelhecimento ativo. As necessidades não são iguais, e os escopos profissionais também não. A colaboração faz sentido quando cada profissional atua dentro de sua formação e de seus limites legais.
Para quem quer avançar em uma aplicação específica, o blog já tem conteúdos separados sobre o que é EMS e como funciona a WB-EMS, atendimento ao público 60+, emagrecimento com GLP-1 e massa muscular e precificação de sessões. Esses textos tratam de recortes específicos; nenhum deles deve ser usado como prova do tamanho do mercado.
O que pode diferenciar um serviço
Uma tecnologia nova chama atenção, mas atenção não é adesão, e adesão não é resultado. Antes de investir em uma oferta, o profissional precisa compreender quem deseja atender, quais barreiras essa pessoa enfrenta, quais alternativas já existem na região e que experiência consegue entregar de forma consistente.
Em vez de vender apenas “uma sessão”, o serviço pode tornar visíveis o objetivo, o acompanhamento, a orientação e a evolução individual — sem prometer um desfecho garantido. O cuidado também inclui explicar riscos, contraindicações e limites da tecnologia, manter-se dentro do escopo profissional e encaminhar para avaliação de saúde quando necessário.
Para a WiemsPro, isso reforça uma ideia: o equipamento é a base; a diferenciação sustentável vem da combinação entre tecnologia, conhecimento, formação, suporte e qualidade de atendimento. O mercado do músculo não pertence a uma máquina. Ele depende de profissionais capazes de transformar informação em uma experiência segura, compreensível e adequada à pessoa atendida.
Perguntas frequentes
O que significa “mercado do músculo”?
É um enquadramento editorial para falar da convergência entre serviços, profissionais e tecnologias ligados à força, à função física e à autonomia. Não é uma categoria estatística oficial nem um número isolado publicado pela GWI.
Qual é o tamanho do mercado de wellness?
A GWI estimou a economia global de wellness em US$ 6,8 trilhões em 2024 e o mercado brasileiro em US$ 125 bilhões no mesmo ano. Esses totais incluem vários setores e não medem especificamente academias, WB-EMS ou eletroestimulação.
A WB-EMS substitui a musculação ou o exercício convencional?
Não deve ser apresentada como substituta universal. A evidência disponível varia por população e protocolo, e uma revisão de 2024 não encontrou base conclusiva para afirmar superioridade da WB-EMS sobre outros métodos em adultos jovens ativos. A escolha deve considerar a pessoa, o objetivo, a orientação profissional e a instrução do equipamento.
Como a eletroestimulação pode diferenciar um profissional?
Quando faz sentido para o público atendido, a WB-EMS pode integrar uma oferta supervisionada e individualizada. A tecnologia sozinha não garante diferenciação: o serviço também depende de avaliação, formação, comunicação, progressão, acompanhamento e suporte técnico.
O crescimento do wellness prova que existe demanda por WB-EMS?
Não. O crescimento do wellness mostra a escala de uma economia ampla. Para estimar demanda por WB-EMS, seria preciso ter dados específicos de consumidores, estabelecimentos, sessões, receita e adoção da modalidade, com período e metodologia definidos.
Referências
- Global Wellness Institute: economia global de wellness atinge US$ 6,8 trilhões
- Global Wellness Institute: Global Wellness Economy Monitor 2025
- Global Wellness Institute: rankings dos mercados de wellness por país
- Organização Mundial da Saúde: Ageing and health
- Organização Mundial da Saúde: Physical activity
- ACSM: tendências mundiais de fitness para 2026
- LaMonte et al.: força muscular e mortalidade em mulheres de 63 a 99 anos
- Rodrigues-Santana et al.: revisão sistemática e meta-análise sobre WB-EMS
- Burgos-Postigo e Fernández-Elías: WB-EMS em adultos jovens ativos
- Kemmler et al.: diretriz internacional de segurança para WB-EMS